YOGA


Há milhares de anos, do outro lado do mundo, o deus Shiva ensinava à sua belíssima esposa Parvati os primeiros movimentos do yoga. Tão envolvido ele ficava em ensinar que não percebeu que todos os dias, um peixe observava, silenciosamente e atentamente, as suas explicações. Quando Shiva chegou ao fim das aulas, foi embora e nunca mais voltou naquele local com sua amada. O peixe sentiu tanto a sua falta que começou a imitar os seus movimentos e se transformou em um homem.
Essa é uma lenda védica, legada pelo povo indiano e que valida a teoria de que o homem surgiu das águas

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Yoga é uma palavra sânscrita “yug” que significa unir, comungar, ligar o homem à sua própria e íntima realidade. É um sistema filosófico, uma ciência de vida que pretende levar o indivíduo a um estado de harmonia, devolvendo-lhe a paz e a serenidade, através do encontro com seu universo interior, permitindo-lhe uma perfeita integração de si com o universo exterior.

“A prática da yoga induz a um sentimento básico de medida e proporção. Está voltada ao nosso próprio corpo. A prendemos a tocá-lo, tirando dele a ressonância e a harmonia máximas, com inabalável paciência, aprimoramos e animamos cada célula ao voltarmos diariamente ao ataque, desencadeando e liberando capacidades, de outro modo condenadas à frustração e à morte”, ensina Maria José Marinho, uma das precursoras do yoga em Belo Horizonte, há mais de 40 anos.
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Ciência espiritual mais elevada que possibilita a sagrada comunhão da alma humana com a Divindade é conhecida como YOGA, que literalmente significa UNIÃO. Existem várias categorias de Yoga, sendo que algumas atuam no campo físico e outras, nos aspectos energéticos e espirituais do ser. Damos, a seguir, algumas das modalidades mais conhecidas:
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JNANA YOGA - É o sistema que busca a comunhão com Deus pela via da Verdade e da Sabedoria. Seus métodos, através de austeridades, ética de conduta, estudos e da meditação, tem como meta a sagrada compreensão da Divindade, da Sua manifestação cósmica e do destino do ser humano. Este é o caminho do Budismo clássico.
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BHAKTY YOGA - É a doutrina da devoção, do amor a Deus e ao próximo, da caridade e da reconciliação. A vivência destes elevados propósitos conduz o verdadeiro discípulo à libertação ou à salvação das misérias humanas e do ciclo das reencarnações compulsórias. Estes são os principais postulados do Cristianismo, uma característica da Bhakty Yoga.
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KARMA YOGA - É a Yoga da ação, do reto agir. Os devotos dessa natureza de Yoga procuram atuar corretamente no processo do mundo, tanto nas coisas materiais como espirituais; nos níveis mais elevados, são as pessoas altruístas, que realizam serviço impessoal com renúncia aos seus frutos. Neste ramo da Yoga, se inclui o Judaísmo, ensinado e praticado por Moisés, o Islamismo, pelo profeta Maomé, o Catolicismo, com Irmã Dulce e o Espiritismo como Chico Xavier.
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HATHA YOGA - É uma Yoga de natureza física. Seus objetivos estão relacionados com o bem-estar físico e a saúde. As posturas (ásanas), efetivamente, beneficiam todo o sistema biológico do ser humano, rejuvenescendo o organismo. Não tem como meta, todavia, despertar os níveis superiores de consciência.
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TANTRA YOGA - É uma modalidade específica ligada ao domínio das energias latentes do ser, e, entre elas, a energia sexual; neste último caso, o objetivo é despertar o chamado "fogo sagrado" (a kundalini), ou a "serpente que jaz adormecida" no cóccix. Ela, na realidade, possui três graus de potencialidade: tamásico (inferior), muito conhecido no mundo profano, prática espúria que visa a estimular as sensações dos sentidos; rajásico (mesclado), busca o controle das energias para despertar poderes psíquicos, forças mentais para se alcançar valores mundanos e domínio sobre as pessoas; sátwico, (superior), cujo escopo é despertar os chamados "centros da alma", localizados no centro do peito (chacra Anahata, "reino de Deus") e entre as sobrancelhas (chacra Ajna), através da prática da meditação, cujos resultados transmutam as energias grosseiras em sutis, os átomos de densa vibração dos metais baixos em átomos de ouro refinado, numa verdadeira alquimia espiritual. Essa é a técnica adotada pelas verdadeiras religiões, onde se pede ao valoroso discípulo, a renúncia do ego humano, representado pelos desejos mundanos e carnais, em favor de uma causa nobre ou divina.Esta prática, todavia, não se destina ao postulante comum e não exprime o pensamento dos Mestres Suddhas como instrução inicial. A "Maithuna", prática de transmutação das energias sexuais, nunca foi ministrada por nenhum Avatara. Os Mestres orientam os discípulos para, em primeiro lugar, viver uma vida de reta conduta física e espiritual, buscando, através das práticas meditativas, a comunhão com Deus, tendo como metas o Amor Divino e a Sabedoria. Trata-se de uma técnica secreta, visando à sublimação das energias sexuais, mas muito perigosa para o homem não preparado, pois o despertar da kundalini deve vir de forma espontânea, quando o discípulo tiver despertado, primeiro, o chacra Anahata, no centro do peito, que está vinculado ao amor divino e o chacra Ajna, entre as sobrancelhas, que interliga com a glândula pineal, o centro da sabedoria.
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LAYA YOGA - Trata-se de uma modalidade de controle da natureza mental, partindo do pressuposto que se pode dominar as funções físicas e psíquicas e, assim, eliminar traumas, angústias, depressões, fobias etc, os chamados "agregados psicológicos". Essa técnica consiste em relaxamento, musicoterapia, auto-sugestões, mantrans (palavras de poder) práticas de respiração para redução dos batimentos cardíacos, dominando-se o corpo físico, permitindo ao Espírito Divino, que está eternamente unido ao ser, manifestar-se e eliminar as desarmonias físico-psíquicas.
O grande objetivo da Laya-Yoga é eliminar as gravações negativas e doentias de nossa mente e subconsciente e gravar pensamentos e imagens positivas de saúde, alegria e paz. Nós somos o que pensamos, dizem os tratadistas espiritualistas. Achamos oportuno agora fazer uma curiosa comparação.
Partindo do pressuposto ou da verdade de que a mente é o veículo da personalidade humana "mais sutil e mais poderoso que os sentidos e o corpo" (Bhagavad Gita, V-25), podemos, por meio do reto pensar, realizar extraordinárias curas físicas ou psíquicas, em nós próprios.
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MANTRA YOGA - Mantra é a vibração do Cosmos, sons sagrados e, portanto, devem ser tratados como tal.
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RAJA YOGA - É a prática suprema, integral. É a síntese das Yogas. Seu objetivo é a comunhão com Deus, através da prática da meditação, vivência de elevada ética de conduta, serviço impessoal ao mundo e veracidade. Nela estão incluídos os sistemas Karma (reta ação), Gnana (sabedoria) e Bhakty (amor). A prática da Raja Yoga consiste em pranayamas (controle do alento), irradiação de amor universal, namaskara (rendição total e irrestrita a Deus) e a compreensão do bhávana (conceito da Unidade Divina). A meditação é dividida em externa, interna e transcendental, proporcionando ao praticante o despertar dos poderes latentes e divinos do ser, bem-estar físico e mental, caráter, magnanimidade e a aproximação aos Seres da Luz. Todos os sábios, místicos e santos de todas as religiões, de forma consciente ou intuitiva dessa técnica, praticaram a Raja Yoga. Os principais Avataras dessa modalidade são Sri Krishna e Mitra Deva.
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Fonte: http://www.rajayoga.com.br/ e Suely Firmino (Yoga, a Revolução Silenciosa)

Pedro Kupfer - O que é Yoga?

Muito se fala a respeito dessa filosofia. Muitas definições foram dadas, mas sempre temos a sensação de que alguma coisa fica faltando; de que o Yoga se recusa a ficar aprisionado numa definição. Porque essas quatro letras juntas significam muitas coisas. E o Yoga acaba sendo sempre mais do que as palavras podem dizer. Não inclui a crença em nenhum poder sobrenatural, nem exige fé religiosa. Simplesmente expõe um caminho de auto-análise que pode praticar-se, prescindindo de qualquer teoria, crença antiga ou moderna por parte de quem o pratica. Um caminho que conduz o homem a compreender-se verdadeiramente a si próprio.
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Todo mundo já ouviu dizer que Yoga significa em sânscrito união, mas Yoga igualmente significa trabalho, aplicação. Ou seja, Yoga seria o meio e o fim ao mesmo tempo. Jaideva Singh, no comentário do Vijñánabhairava (p. XIII), um texto que ensina técnicas de meditação, afirma:
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A palavra Yoga é usada tanto no sentido de união (com o Divino) como no de veículo (upáya) para essa união. (...) Desafortunadamente, nenhuma palavra foi tão profanada nos tempo modernos como a palavra Yoga. Andar sobre o fogo, tomar ácido lisérgico, parar o batimento cardíaco, etc. se consideram Yoga, quando, a bem da verdade, não têm nada a ver com ele. Mesmo os poderes psíquicos [siddhis] não são Yoga. Yoga é consciência; transformação da consciência humana em consciência divina.

Yoga também é liberdade. Libertar-se de condicionamentos e preconceitos em relação à palavra, por exemplo, poderia considerar-se uma forma de sádhana. As palavras não são nem boas nem ruins em si. Nós lhes damos valores e significados que associamos às nossas próprias emoções ou preconceitos. Está escrito na Bhagavad Gítá: Yogah karmashu kaushalam (“Yoga é perfeição em todas as ações”). Essa é uma visão tão ampla como simples da prática: qualquer coisa que você fizer, deve fazer-se como uma prática contínua e constante. Mas aqui temos um paradoxo: a perfeição não existe. Que significa “perfeição”? A perfeição, assim como o zero, é um dos muitos produtos da capacidade de especulação da mente. Ou seja: não existe. Não é algo preexistente, nem uma verdade tautológica, daquelas que se sustentam por si próprias. A perfeição, diria, não é uma abstração etérica, inatingível, senão um modelo, um paradigma no qual nos espelhamos para transformar a própria existência numa obra de arte, algo digno de ser vivido (e perdoe-me o leitor o mau gosto da frase, mas é para que fique claro). Perfeição aqui significa arte de viver consciente. Nada mais. Pátañjali explica o mesmo com outras palavras:

"Discernimento constante é o meio para destruir a ignorância."

Yoga Sútra, II:26
Embora no início possa parecer difícil, ou incompreensível, chega uma hora em que a sua consciência se expande e você começa a entender. Nesse ponto, o Yoga não fica apenas no plano das idéias, nem se restringe unicamente à sala de prática. Com isso em mente, fazer Yoga é como um jogo que é preciso aprender a jogar desde o início. Um jogo que se joga tanto com a cabeça como com as vísceras. Mesmo se você não tiver nenhuma experiência com Yoga, saiba que suas atividades diárias, como trabalhar, criar os filhos ou estudar, também podem ser encaradas como um sádhana. É por isso que o Yoga é um jogo, cuja única regra é permanecer totalmente consciente o tempo todo, de cada ato, a cada momento.
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A frase da Bhagavad Gítá citada acima possui implicações que vão longe e escapam a uma análise fora do contexto adequado a causa da aplicação prática da coisa. Porque se usa, porque funciona para libertar. Jaimini Rishi disse: "o resultado da prática acontece agora". Os outros rishis perguntam: "mas não há outro resultado espiritual, no final?". E ele responde: "quando você obtém um resultado concreto agora, não espere por outro invisível mais tarde".
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A experiência é a única coisa que salva o yogi. Se você não fizer, não viver, não experimentar em sua própria carne, não sentir no mais íntimo do seu ser, não adianta ler, pesquisar ou ouvir palestras sobre o assunto. Aliás, o yogi precisa ser crítico. É uma das qualidades básicas para poder avançar na prática. A capacidade de observação, de si próprio e do ambiente, é essencial: estar sempre atento.
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Talvez você possa achar, como muita gente, que o Yoga é algo separado de si próprio ou do seu dia a dia. Algo que você “faz”, como ir às compras ou atender o telefone. Você precisa, não apenas fazer Yoga três ou quatro vezes por semana, senão viver em Yoga, 24 horas por dia, todos os dias da sua existência. Esse viver consciente, essa atentividade constante é a essência da prática, mas não se consegue exercendo a vontade. Não adianta apenas querer fazê-lo, nem acontece da noite para o dia. A atentividade constante é o fruto do amadurecimento interior, um processo em que se desenvolve gradativamente a consciência de alerta, que vai expandindo até abranger cada momento da existência.
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Por isso, não convém dizer “eu faço Yoga”, pois, em verdade, você não “faz” Yoga. Ele já está feito! Você “desliza” para o estado de Yoga (união) em certos momentos. Por exemplo, quando consegue ficar totalmente consciente da sua respiração. E, se quiser transcender mesmo, chegar ao samádhi, deverá manter esse estado constantemente. A “prática”, a técnica em si, funciona apenas como um catalisador que acelera esse processo.
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Isso tem a ver com você, com a sua existência, com o seu momento presente, com o ar que entra por suas narinas no mesmo instante em que você está aqui sentado lendo. Daí a intenção implícita no título deste livro (Yoga Prático), já que sádhana significa praticar, fazer a coisa. Se você não for usar o Yoga, para que vai querer estudá-lo? Isso equivaleria a contentar-se com ver um filme sobre uma linda praia, tendo a oportunidade de ir pessoalmente dar um mergulho nas águas transparentes, e depois deitar na areia morna, sentindo o sol na pele e bebendo uma água de coco sob uma palmeira. São coisas diferentes, concorda? A posição do observador (em sânscrito, sakshi, “testemunha”) é fundamental para a prática, mas funciona unicamente desde que o observador seja parte ativa do processo, ou seja, observe, estude e analise, mas que o faça estando dentro da experiência.
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Por isso, amigo leitor/navegante, convido você, antes de continuar esta leitura, a sentar bem confortável, com as costas eretas e os olhos fechados. Tome consciência da sua respiração e desfrute intensamente da certeza de estar vivo. Respire fundo, usando toda a extensão dos seus pulmões. Faça isso por pelo menos dez vezes, exalando devagar.
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Se, após haver respirado conscientemente por alguns segundos, você tiver percebido alguma mudança no ritmo dos seus pensamentos ou emoções, você conseguiu praticar Yoga. Bem-vindo!
A propósito, quando foi a última vez que você lembrou que estava vivo? Às vezes, quando faço essa pergunta em cursos, vejo rostos assustados... Porque as pessoas esquecem. Esquecem que estão vivas!!! E o Yoga serve para isso, para lembrar. O yogi deve estar consciente a cada momento da existência, assim como você acabou de fazer. A cada inspiração e exalação. O verdadeiro significado de estar vivo só pode experimentar-se quando se está totalmente consciente. Consciente de cada respiração, cada pensamento, cada ato. Tempo, espaço e pensamento não são mais prisões, mas campos da expressão do ser. A verdadeira origem, a fonte do ser, está além do tempo, além do espaço e além do pensamento. A experiência dessa fonte nos dá o conhecimento absoluto, livre de objetos, tempo e memória.
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O Yoga funciona em todos os casos. Não é apenas para pessoas sadias ou apenas para doentes, para extrovertidos ou deprimidos. É para seres humanos. E, com isso, não estou querendo convencer você, leitor, nem fazendo parte de um grupo de “escolhidos” que querem catequizar, “converter” os pobres mortais que não viram a luz e vivem nas trevas da ignorância e do pecado. Ou, ainda, lhe dar a sensação de haver “encontrado a Verdade”. Longe de mim essa intenção. Como praticante, sou mais um veículo, um instrumento através do qual o Yoga fala.


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Como técnica, o Yoga não está preocupado com explicações. Isso pode resultar repetitivo, mas é tão simples quanto importante, e se impõe deixá-lo claro outra vez. O Yoga quer aniquilar os condicionamentos do indivíduo. Não se limita a nenhum plano teórico, nem quer a substituição do sistema de valores ou mitologias do “mundo ocidental e cristão” por outro exótico e alienígena, o que poderia parecer uma espécie de escapismo, de resposta desesperada de uma juventude que precisa achar a sua identidade e uma alternativa viável ao terrível vazio que a nossa fria sociedade tecnocrática oferece (e, no lugar de “fria”, você pode colocar seus adjetivos preferidos).
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Desde tempos imemoriais, há algo nessa praxis que sempre chamou a atenção. Algo pelo que, até hoje, reis abdicam do poder, para sentar-se num tapete igual ao que nós usamos neste momento para meditar. Por exemplo, sem ir mais longe, na cidade de Indore, a alguns kilômetros do Omanand Yogashram, lugar onde estudamos na Índia, algumas poucas gerações atrás, a família do marajá Holkar simplesmente abandonou tudo para dedicar-se ao Yoga.
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Por quê? Por causa daquele assunto velho como o mundo: a sede de poder. Porque o poder verdadeiro não está na prerrogativa de decidir o destino alheio. Da mesma forma, o poder que dá a política ou o dinheiro, ou qualquer outra manifestação dele com maiúscula ou minúscula em que você possa pensar, como um concerto de Wagner, uma pirâmide egípcia ou a montanha de dinheiro do tio Patinhas, são apenas símbolos de algo que está além, e que sempre, em todas as culturas, lugares e momentos da aventura humana, acabam aparecendo sob diferentes roupagens.
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O que atrai as pessoas para o Yoga é justamente isso. Porque ele lida com o poder, com a energia, e isso fascina: todo mundo quer ter. Mas o poder verdadeiro só vem com a iluminação. Porém, esse poder não pode obter-se apenas com alguns minutos de pránáyáma e alguns ásanas escolhidos aleatoriamente. Não é de graça. As práticas precisam fazer-se com dedicação e perseverança para revelarem seu efeito real. E poder para quê? A própria palavra o diz: yuj, unir. Unir tudo: os poderes do corpo, a consciência e a ánima para alcançar o samádhi, a fusão entre o Ser e o Conhecer.

"A unidade da respiração, a consciência e os sentidos, seguida pela aniquilação de todos os conceitos: isso é o Yoga."
Maitrí Upanishad, VI:25.

Esclarecendo um pouco mais, para o Yoga, consciência não é apenas o conjunto das funções psicomentais ou suas manifestações separadas: pensamentos, emoções e sensações. Ela inclui essas funções mas, ao mesmo tempo, está separada delas e pode observar e ser observada isoladamente. Isso é importante para entendermos o papel fundamental que tem essa capacidade da consciência de permanecer como testemunha das suas próprias ações. A consciência é então o pano de fundo sobre o qual pensamentos, emoções e sensações se revelam: um campo vibratório sutil, que torna possíveis as associações e o pensamento, e observa o mundo e os fenômenos como eterna testemunha. Diz a Mundaka Upanishad:
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Como dois pássaros dourados pousados no mesmo galho, intimamente amigos, o ego e a Consciência habitam o mesmo corpo. O primeiro ingere os frutos doces e azedos da árvore da vida; o segundo tudo vê em seu distanciamento.

Os dois pássaros representam a consciência individual e a Consciência Universal. A consciência individual ofusca e esconde a Consciência Universal, que faz com que ela pense e perceba o mundo. A consciência é vasta e profunda como o oceano, e abrange todas as experiências e todas as memórias do indivíduo desde o início da existência.
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A partir da definição de Pátañjali, "Yoga é a supressão das modificações da consciência", vemos que a prática começa numa sede profunda de transcender os condicionamentos humanos; vemos a necessidade de tornar cósmico o homem, de desenvolver as suas potencialidades para conquistar a iluminação. O método através do qual o Yoga pretende atingir esse objetivo é a execução de técnicas que possuem como único objetivo aniquilar, um a um, os diferentes condicionamentos que escravizam o homem. Os condicionamentos não nos deixam viver em paz e nos fazem repetir os mesmos erros, ano após ano, ad eternum. Para “sair da roda do karma”, ou seja, alcançar a liberdade verdadeira, o yogi precisa aniquilar um a um esses condicionamentos na sua própria fonte: o inconsciente, a parte “escura” do ser.
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Dizem os shastras que o caminho do Yoga começa “quando o homem consegue quebrar a prisão das suas misérias”. O Yoga parte da condição humana desamparada, nua e crua, e tem o mérito sem par na história do pensamento de descobrir o verdadeiro potencial do homem: o da sua espiritualidade. A vida espiritual sempre começa no conflito interior, na sede de transcendência. E, neste kali yuga, a era dos conflitos, requer muita mais pureza de coração, coragem e determinação que em outro tempo qualquer. O caminho para o samádhi inclui mais lágrimas do que você possa imaginar ao pensar em iluminação. Descobrir, identificar e desintegrar o lixo enterrado no subconsciente dói bastante. Mas não esqueça da constatação de Wayne Dyer: “não existe caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho”. Esse paradoxo entre lágrimas, lixo e felicidade se resolve ao andar, na prática. Precisamos quebrar o casulo do ego para chegar à essência.
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A Katha Upanishad diz que o Yoga é ao mesmo tempo dissolução e emergência, morte e renascimento (Yogah prabhavápyayau). É preciso matar o ego para poder viver. Aliás, sabe o que significa literalmente a palavra samádhi? Samádhi, que se traduz como iluminação, é morte. Entrar em samádhi significa morrer. Morrer em vida. Porque o que há além dessa morte é a experiência da luz. Só que, para ter essa experiência numinosa, como diz Jung, não é necessário morrer. A morte, na real, é a morte do ego, não a do corpo. Anaïs Nin dizia “não vemos as coisas como elas são, senão como somos nós mesmos”. No momento em que deixamos de ser “nós mesmos” (o ego), a natureza da realidade se desvela como ela é.
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Os ensinamentos do Yoga são somente acessíveis através da praxis: o praticante deve pôr sob o jugo seu corpo, sua mente e sua psique, para alcançar a liberdade interior. Múltiplo em suas diferentes correntes e manifestações, ele é sempre fiel a um modo de ver o homem e de servi-lo: após a severidade e paciência exigidas pela prática, sente-se a calidez da sua solicitude carinhosa por todos e respeito por todo o criado. Seu caminho é radical mas acessível e nos leva à conquista da liberdade mais absoluta. Quando você dá um passo em direção ao Yoga, ele dá cem em direção a você.
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Prof.Hermógenes - O que é Yoga?

Yoga é exatamente a viagem dos que, intoxicados de divertimento, acordados pelas abençoadas pancadas das vicissitudes, saudosos da ¨casa do Pai¨, já decisivamente convertidos, se tornaram aspirantes ao Eterno.Yoga é o caminho e o caminhar que conduzem a Deus.Yoguin é aquele que, tendo despertado visto a impermanência e a falência dos valores mundanos, seja cristã, hinduísta, budista, judeu, maometano..., está a caminho, pagando o preço dos desafios, das fadigas, das quedas, de todos os sacrifícios, mas sempre avançando sempre querendo chegar.


O YOGA AUTÊNTICO

Caro amigo.

Aqui estou para tentar responder bem a suas perguntas sobre o que é mesmo Yoga.
Para evitar polêmicas, evito defender ortodoxamente um ponto de vista particularmente meu. Sem contestar nem protestar, vou simplesmente transcrever com fidelidade escrituras sagradas e grandes sábios, que há milênios ensinaram Yoga à humanidade.

Se fossem minhas as explicações, poderia incorrer em erros e me sujeitaria a contestações e suspeitas, e, assim, não o ajudaria..

Peço ao leitor que afie a espada de seu discernimento, para que possa chegar a conclusões corretas. Tomara que tais autoridades sejam por nós entendidas e atendidas. Que falem as escrituras sagradas e os velhos Rishis. Que nos elucidem, para evitar opiniões aventureiras e, portanto, equivocadas.

Krishna, o Verbo Divino, na "Bhagavad Gita", o mais portentoso, completo e sábio evangelho do Yoga, explicou ao Príncipe Arjuna:

Livre de orgulho e de ilusão, já tendo dominado o mal do apego, pensando constantemente no Ser Supremo, tendo minimizado todos seus desejos, tendo-se refugiado na solidão, liberto dos opostos da existência tais como prazer e dor aquele que já não está mais iludido, atinge a Meta Eterna.(15.1) Permaneça firme em Yoga, Oh Dhananjaya(Arjuna); pratique suas ações, isento de apegos e mantendo eqüanimidade tanto quando bem sucedido como no malogro. Esta eqüanimidade é chamada Yoga. (2.48).

Aquele que nem odeia nem deseja pode ser reconhecido como alguém que constantemente pratica a renúncia, porque, liberto dos pares de opostos, Oh poderoso Arjuna, pode ser facilmente libertado do cativeiro.(5.2)

Aquele que trabalha deve fazê-lo sem ansiar pelos frutos da ação. É chamado sannyasi e é um yogui e não o é aquele que nem age nem mantém o fogo sagrado.

Fique sabendo que o que as escrituras e os sábios chamam renúncia é o mesmo que Yoga, Oh Pandava; porque ninguém que não tenha renunciado a seus desejos, pode tornar-se um Yogui.

Para um sábio que aspira atingir Yoga, agir é o meio adequado, no entanto, quando tenha atingido Yoga, o meio mais adequado passa a ser a serenidade.

Quando um homem já não tenha apego aos objetos dos sentidos ou à atividade, e quando tenha totalmente renunciado a seus quereres, pode-se dizer ter alcançado Yoga

Que o homem se liberte de si próprio, que não se degrade, porque ele é seu próprio amigo e também seu próprio inimigo. Para quem venceu a si mesmo, por si mesmo, seu próprio ser é um amigo, mas, para aquele que não se venceu, seu próprio ser lhe é hostil.

Aquele que se tenha vencido e, em sua mente, vive sereno, está permanentemente absorvido no Ser Supremo, não se altera tanto no calor como no frio, tanto no prazer como na dor, seja na honra, seja no opróbrio.

Merece ser chamado yogui firme aquele cujo coração, através do conhecimento e do apercebimento, permanece satisfeito, que, tendo vencido a sensualidade, nunca vacila e considera de igual valor um torrão de barro, uma pedra e um pedaço de ouro.

O homem que respeita igualmente os que lhe querem bem, os amigos e também os inimigos; os que são de suas relações ou os indiferentes, os imparciais e os maliciosos, e mesmo os virtuosos e pecadores é um yogui supremo.

Um yogui deve sempre tentar concentrar sua mente, retirar-se para lugar solitário e viver só, tendo vencido sua mente e seu corpo e se libertado dos desejos e das posses(6.1- 10)

Krishna continua a descrever nos versículos seguintes o que é o Yoga e o yogui e a conduta ética e espiritual adequada a alcançar a difícil união libertadora com Deus, com o Ser. A descrição acaba por quase desanimar seu interlocutor, o já muito virtuoso príncipe Arjuna. Imagine como me sinto eu, um simples mortal?! Arjuna manifestou então seu espanto e suas dificuldades, que também são nossas em maior grau:

... a mente, Oh Krishna, é inquieta, turbulenta, poderosa e obstinada. Controlá-la é tão difícil, me parece, como controlar o vento.(2.34)

Krishna respondeu:

Sem dúvida, poderoso Arjuna, a mente é inquieta e difícil de controlar, mas pela prática e pelo desapego, pode vir a ser aquietada.

Eu penso ser difícil alcançar Yoga para o homem que não conseguiu se controlar, mas Yoga pode ser atingido pelo que tenha conseguido se controlar e se empenha por obter meios apropriados(6.35 e 36)

Ainda não satisfeito, Arjuna volta a argumentar:

Um homem dotado de fé, mas sem serenidade, e cuja mente tem vagado longe do Yoga, que fim alcança. Oh Krishna, não tendo conseguido conquistar a perfeição em Yoga? Tendo fracassado na fé e no esforço para atingir o Yoga, desamparado de apoio e perdido no caminho para Brahman(Deus), Oh poderoso Krishna, ele não parece uma nuvem que se desfaz? Dissipe completamente esta minha dúvida, pois ninguém que não você pode extinguí-la(6.38 e 39).

Krishna dá uma resposta ainda mais tranqüilizante:

Oh Partha(Arjuna), não há destruição para um homem assim, nem neste nem no mundo seguinte; nem mal algum, meu filho, atinge o homem que pratica o bem(6.40)
E mais adiante completa:

Um yogui, se engajando diligentemente, é purificado de todos os pecados e, se tornando perfeito, através de muitos nascimentos, atinge a Meta Suprema. O yogui é maior que os homens que praticam árduas mortificações; é maior que os homens que agem indiferente aos frutos da ação. Torne-se, portanto, um yogui. E de todos os yoguis, aquele que me adora com fé, seu ser mais interno, reside em Mim...

Krishna, o "divino cocheiro do carro de nossas vidas", indiscutivelmente é a autoridade maior para prescrever o Yoga mais puro e apropriado a cada um.

Fixe em Mim sua mente. Coloque em Mim seu intelecto. Então daí por diante, portanto, você viverá, sem dúvida, somente em Mim"(Gita,12.8)

Isto é ainda o que entendo com "Yoga para quem pode", portanto, para muito poucos. Não me atrevo a me ver entre eles. E você? Krishna que está por dentro de nossas limitações e de nossos pensamentos, com muito amor fala diretamente para Arjuna e indiretamente para nós:

Se você também é incapaz de fixar em Mim sua mente, então, pelo Yoga da constante prática, procure chegar a Mim...(Gita, 12.9)

E, obstinado e misericordioso, insiste em ajudar-nos:

Se você é incapaz mesmo de praticar Abhyasa Yoga(Yoga da constante prática), então pratique suas ações em Meu proveito. Mesmo pela prática de suas ações em Meu proveito, você atingirá a perfeição.(12.10)

De compaixão em compaixão, Krishna segue sugerindo caminhos mais viáveis, embora sempre austeros como devem ser:

Se ainda assim, você é incapaz de fazer mesmo isto, então busque refúgio em Mim. Autocontrolado, renuncie aos frutos de todas as ações. O conhecimento é deveras, melhor que a prática. A meditação é melhor que o conhecimento. A renúncia aos frutos da ação é melhor que a meditação. A paz sucede imediatamente à renúncia.(12.11e12)

Há outros métodos ainda menos árduos e menos elitistas para conquistarmos meta suprema de nossas vidas aconchegar-nos nos braços amorosos do Pai.O canto de músicas religiosas, o serviço devocional, a auto-entrega, a oração inteligente, a repetição permanente do Nome de Deus,...são alguns procedimentos que nos ajudam na viagem que há de minimizar a grande distância e a grande diferença entre nós e Deus, distância e distinção que a ignorância impõe.

Como uma moderna disciplina do Yoga(Sadhana), Sai Baba nos aponta a "Educação dos Valores Humanos"(Educare), isto é, a cultura e o cultivo de cinco potenciais divinos que moram dentro de você, de mim, de todos. Os cinco valores, que a educação pode desenvolver, são:

Verdade ou veracidade; Retidão; Paz; Amor; e Não-violência.

Esta é o Yoga mais adequada aos que vivem agora, nesta "era negra", na Kali Yuga, dominada pela hipocrisia, pela desonestidade, pela guerra, pelo desamor e pela violência que parece insanável.

Felizmente, para a saúde física e mental, para nutrir-nos de bio-energia, e de tudo mais necessário ao bom condicionamento de nosso holos, contamos com a prática sistemática da Hatha Yoga. A Hatha Yoga, que embora pareça ginástica, é infinitamente mais e melhor, funciona como um b-a-bá, um curso de alfabetização, capaz de amparar no nobre caminho da ação(Karma Yoga), no doce caminho da devoção-amor(Bhakti Yoga), no difícil caminho da sabedoria, da vitória sobre a ignorância(Jnana Yoga), no problemático controle da mente(Raja Yoga) e de todos outras nobres formas de caminhar de volta a Deus, de libertar-nos das peias e penas do mundo material. Infelizmente quase todos a vêm como mera ginástica.

Que esta carta possa ajudar a um estudioso igual a você e também a todos quanto, empolgados pela onda, pelo modismo, desejem conhecer e praticar o verdadeiro Yoga de validade eterna, de alcance infinito.

Que todos abram os olhos, isto é, usem de discernimento para não vir a colher frustração.
Que não pratiquem asanas equivocadamente como ginástica ou malhação a serviço da conquista de poder e de prazer materiais, transformando Yoga em Bhoga. Vitórias, aquisições, bens, prestígio e prazeres de Bhoga são inevitavelmente falsos e efêmeras, segundo as escrituras e os Mestres..

Minha homenagem a todos os sinceros professores, pesquisadores e praticantes, que se dedicam ao estudo profundo desta ciência divina. Que Ishvara, o Deus dos yoguis, abençoe seus nobres esforços e seus transcendentes ideais
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Namastê!